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Senso comum? Aquilo que eu não tenho

…Ou ao menos é o que todos sempre me dizem.

Desde que me lembro como gente vejo pessoas comentando sobre minha aparente falta de “senso comum”. Pelo que eu entendia na época, isso significava basicamente que eu fazia coisas não consideradas “normais”. Como o senso de “normal” varia de pessoa para pessoa, eu obviamente nunca fui capaz de compreender por completo essa crítica. E, para complicar ainda mais a situação, muitos falavam que o que me faltava era “bom senso”, enquanto outras chamavam de senso comum, simplesmente. Para tirar essa dúvida, resolvi recentemente (meio tarde, até, mas só desenvolvi interesse nisso agora) pesquisar sobre o significado de ambos os termos. E foi graças a essa pesquisa me lembrei de uma situação no mínimo estranha que aconteceu comigo na época do Ensino Médio.

Certo dia, não lembro eu como, porque ou em que situação eu afirmei em sala de aula que não era errado considerar que os professores são funcionários dos alunos (eu estudava em escola particular, veja bem). Apesar de ser algo que soava extremamente natural para mim, meus colegas não tiveram uma receptividade muito positiva à essa minha afirmação. Enquanto levava apedrejamentos psicológicos (e corria o risco de levar alguns físicos, visto que falei a frase na presença da professora de literatura), eu tentava ao máximo defender minha posição. Sabe aquilo que as crianças(especialmente meninos) tem de, ao ouvir algo que discordam demais, reagir com um “Dã, seu retardado, é óbvio que não” e ignorar quaisquer possíveis argumentações? Então, foi exatamente o que eu sofri massivamente naquele dia (fato esse interessante, pois ilustra bem a idade mental de meus colegas na época).

Fato é, o raciocínio que me parecia tão lógico que me fez me questionar por dias se meus colegas e inclusive professores tinham a idade mental de crianças com Síndrome de Down de 3 anos foi o seguinte:

“Eu estudo em uma escola particular, o que significa que o dinheiro que vai para os professores é o mesmo que meus pais, assim como os dos demais alunos, pagam à escola. Os professores recebem esse dinheiro exclusivamente para dar aula a esse bando de poríferos que chamo de alunos, inclusive eu. Os professores estão aqui em função de nós, alunos. Portanto, são indiretamente nossos funcionários. Se todos os alunos saíssem da escola subitamente, os professores por consequência não mais trabalhariam, a não ser que a escola continuasse pagando-os para vir diariamente dar aula para as paredes.

Inclusive, já que os professores são nossos funcionários, pagos exclusivamente para dar aula para NÓS, se algum dia qualquer professor resolver, por qualquer motivo que seja, não ministrar aula para, digamos, jogar Imagem & Ação com os outros professores, teríamos todos direitos do mundo de solicitar que nos dê aula, visto que o pagamos para isso. A escola é basicamente como se um conjunto de pais resolvesse pagar mensalmente por professores particulares de todas as matérias, para ensinar vários alunos ao mesmo tempo, ao invés de um por vez. Por convenção, é apenas mais fácil ter alguém para administrar essa vaquinha de pais, e é pra isso que basicamente a Escola existe.”

Até então, para mim isso era um conceito óbvio. O fato de no mínimo 40 pessoas discordarem de mim simultaneamente me deixou perplexa por alguns dias, pois foi quando percebi que mesmo algo que pareça uma informação básica e conceitual sobre algo que vivemos todos os dias pode não ser claro para outra pessoa. “Como alguém que vem à escola a pelo menos 9 anos consecutivos não possui essa noção básica de o que é e como funciona uma escola particular? Se o propósito dela não é ser essa grande vaquinha de pais em busca de professores particulares, o que mais pode ser? Para que mais os professores estão aqui senão para NÓS, para nos ensinar e nos dar aulas?”

Nem preciso dizer que eu era inocente demais a ponto de não ter chegado a simples conclusão de que os professores estavam lá porque precisavam de um salário. E que mesmo na minha situação hipotética de todos os alunos subitamente saírem da escola, os professores apenas migrariam para outra. Mas enfim.

Creio que esse seja um dos melhores exemplos da minha falta de bom senso/senso comum/essa coisa. Para vocês terem noção da minha dificuldade em classificar isso, segundo a Wikipédia, bom senso é a “capacidade de adequar regras e costumes à determinadas realidades”. No entanto, o fato de eu estar convicta de que não falava nenhum absurdo, seja em qual situação social que fosse, me leva a acreditar que isso faz parte do “meu” senso comum. O problema em assumir isso é que um senso comum individual iria contra sua própria definição, já que, pelo que entendi, é um conceito estritamente ligado à sociedade em que o indivíduo vive.

Se você acha que as coisas já estão embaralhadas o suficiente, a página em inglês sobre senso comum nos leva à página Common Sense que, apesar de ser uma tradução literal do termo, possui uma definição que se encaixa como sendo um misto entre senso comum e bom senso. Aliás, a página sobre bom senso não possui correspondência em inglês. E agora?

PS: O mais engraçado é que o único dos professores que lembro de não ter me apedrejado frente minha afirmação foi o de Filosofia.

 
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Publicado por em 19/10/2011 em Aleatoriedade

 

Primeiro relato das férias

Olá, gente!

Bem, como devem ter percebido, faz tempo que não posto algo aqui. Minha razão anterior para isso era a correria em função da tal prova de japonês e o final do semestre da faculdade. Aliás, não consegui passar na tal prova, mas tentarei novamente ano que vem. Aparentemente, ninguém da cidade passou.

Mas meu afastamento dessa vez não foi por nenhuma prova ou compromisso estudantil. Eu estou de férias no momento (até segunda-feira, aliás). Falo afastamento pois não foi apenas com o blog. Tenho estado menos presente online também.

Recentemente, li um post (leiam, recomendo) que me fez lembrar do motivo pelo qual comecei esse blog. Além de ser uma mera narrativa aventureira da minha vida diária, meu intuito é de deixar minhas memórias registradas nele. E memórias não precisam ser necessariamente de acontecimentos, mas também de impressões e sentimentos.

Me identifiquei bastante com essa postagem acima sobre a descrição do sentimento de depressão, e me inspirei com a coragem da pessoa de se abrir dessa forma, passando suas impressões para a internet. Notei que não tenho postado recentemente por esse único motivo: Nunca tive oportunidade de escrever algo menos alegre do que meus posts usuais e não estava no mood de escrever algo nesse ritmo usual.

Esse breve período de férias (um mês, mas chamo de breve mesmo sabendo que tem gente que teve uma semana e olhe lá) foi muito importante para que eu pudesse refletir sobre muitos aspectos da minha vida. Um desses aspectos foi: Que rumo quero tomar? Que coisas eu quero fazer que irão de encontro aos meus sonhos?

Como já comentei aqui antes, eu sou uma pessoa utópica e sonhadora. O próprio nome do blog remete a isso. Meu estilo de vida remete a isso. Eu vivo para sonhar, e sonho para viver. Mas cheguei a conclusão de que realmente preciso fazer algo para realizar estes sonhos – ou, ao menos, os mais realistas deles. De nada adianta eu viver nesta passividade de apenas fazer tudo que desejo no momento, sem me focar em objetivos.

Eu moro sozinha, faço faculdade e estudo japonês e tenho milhões de motivos para isso; Tenho milhões de motivos para ter escolhido o curso que escolhi, para ter escolhido estudar japonês e para ter tomado a dura decisão de viver sozinha (o que não é algo nada fácil, especialmente no início). Apesar disso, notei minha insatisfação com a minha condição atual. Refleti, tomei decisões, voltei atrás em relação a decisões anteriores e tracei, finalmente, rumos e objetivos concretos para a minha vida. Vou usar todo esse próximo semestre para construir um caminho, uma rota a seguir. Uma base também se faz necessária.

Por este motivo me mantive afastada. Estive pensando sobre o que acho da minha vida atual, da minha rotina, dos rumos que estou tomando. O que não quer dizer que passei minhas férias depressiva e isolada do mundo: Muito pelo contrário. Tenho amigos maravilhosos e passei boa parte do tempo fazendo coisas divertidas, saindo, jogando, etc. Essa minha reflexão foi feita aos poucos, nos meus momentos livres/de descanso – coisa que há mais de seis meses eu já não sabia o que significava e, em breve, voltarei a esquecer como é. É, trabalhar, estudar e cuidar de uma casa torna a rotina de uma pessoa bem apertada.

Enfim, esperem começar a ver alguém diferente. Minha revolução de vida começa agora. Peço que torçam por mim e me acompanhem (:

Obrigada de coração a todas as pessoas que lerem esse post até aqui. Me sinto mais aliviada e revigorada de compartilhar isso com alguém. Mesmo que seja, digamos, com toda a ~Internet~

 
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Publicado por em 29/07/2011 em Vida

 

Gatinhos~

Olá, gente!

O post de hoje é um pouco diferente, porque ao invés de vir recheado com alguma história minha ou dissertação maluca sobre a vida, as pessoas e meu autismo, ele é um anúncio!

Venho através deste convocar qualquer interessado a adotar um dois lindos gatos!

Como eu moro em um JK e em um condomínio que não permite animais, não posso ficar com eles. E a minha mãe, que até então cuidava deles para mim, também não poderá prosseguir com eles. Portanto, quero pessoas que possam cuidar deles com muito amor.

Eles são mãe e filho, a Hika e o Nino, então seria ótimo caso alguém pudesse ficar com os dois. No entanto, mesmo separados tenho certeza de que ficarão bem, eles são muito amáveis e se viram tranquilamente. Ambos tem a saúde perfeita, inclusive nunca tiveram quaisquer doenças ou problemas. São vacinados (contra tudo que você possa imaginar) e a Hika é castrada, pois já teve filhotes.

Gatinha linda

Hika e seu olhar sedutor

A Hika é uma gatinha preta com branco, tem atualmente 2 anos (mas nem parece, ela é super pequeninha, mesmo já tendo sido mãe). Ela é muito amável e gentil, se dá bem com qualquer ser vivo, praticamente. Ela adora pessoas, se dá bem inclusive com crianças. No início ela é meio tímida, mas logo se torna muito dada. É perfeita pra quem gosta de companhia, já que costuma estar sempre com alguém e seguindo as pessoas pela casa.

Peço que quem for ficar com ela esteja disposto a dar muito amor, pois ela já sofreu muito. Tirei ela da rua quase morrendo de inanição quando ela ainda era menor que um ratinho (segundo a médica, tinha menos de dois meses de vida). Por esse motivo ela é extremamente apegada a humanos, ao contrário da maioria dos gatos. Creio que ela não tenha problemas vivendo com outros animais. É mais fácil ela se tornar vítima de bullying felino do que criar briga com outro bicho. Quem já tiver outros gatos, é bom observar se eles se dão bem com outros animais também, para que não venham a acoá-la ou agredi-la ):

Já o Nino é filhote da Hika, apesar de já estar completamente adulto. Ele é uma mistura de vira-lata (Hika) com siamês. Por esse motivo tem o pêlo lindo típico de siamês, com algumas mesclas brancas ao longo do corpo (herdadas da Hika). Sem falar que tem olhos lindos~

Fotos recentes do Nino:

Gato

Coisa linda

Gato adulto

Não tem como resistir a esses olhos azuis

 

Ao contrário da Hika, ele é bem na dele e independente. Também se dá bem com pessoas, é claro. Não sei como seria o comportamento dele com outros animais, pois nunca experimentei deixá-lo junto de outro gato senão a Hika. Eles se dão bem entre si.

Apesar da independência e de uma atitude inicial de “Quem disse que eu preciso de carinho?”, aos poucos ele sempre cede. Basta insistir no carinho que logo ele se entrega e, quando se dá conta, volta ao comportamento inicial. É, ele é bem tsundere mesmo, hihi. Mas o fato de ele ser amável e carinhoso por dentro torna ele essa coisa fofa e lindinha que é :3

Enfim, depois dessa ficha completa deles, fica o apelo em busca de quem os queira. Se alguém puder me ajudar a divulgar para pessoas que queiram e gostem de gatos, por favor o faça (:

Eu sou de Porto Alegre – RS, então dou preferência para quem more próximo.

PS: Para quem tem gatos, sabe o quanto eles costumam sair arranhando coisas. Sugiro que compre-se um arranhador ou tenha em mãos algo disposto a ser sacrificado para este fim (caso você não queira que seja seu sofá, é claro, haha).

CONTATO

Meu e-mail é anny.figueira@gmail.com, caso alguém se interesse nos gatos e queira conversar mais sobre eles, por favor me contate. (:

 
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Publicado por em 28/07/2011 em Vida

 

Daria tudo por uma memória melhor

Sou uma pessoa que está sempre desatenta. Em épocas juvenis, já cheguei a ponderar a possibilidade de ter autismo, tamanha era minha minha ausência desse mundo. Até hoje sou um pouco assim: Costumo comentar meus próprios pensamentos e volta e meia argumentar comigo mesma, com debate a nível campanha política.

Creio que toda essa dispersão contribui para a degradação da minha memória. Passo tanto tempo em meus pensamentos que mesmo minhas experiências de vida (inclusive as mais marcantes) disputam espaço com teoremas malucos que crio a cada 30 segundos. Para vocês terem noção, quase sempre que estou caminhando ou no ônibus sem fazer nada, gero material para no mínimo 3 posts. Por que eu não os escrevo e posto ao chegar em casa? Vocês poderiam me perguntar. Pois é, eu apenas não faço isso porque me esqueço. Justamente por isso, a partir de hoje tentarei escrever imediatamente após pensar e ter material o suficiente.

Gostaria de inventassem logo alguma espécie de upgrade para o quanto nosso cérebro consegue armazenar (ou o meu, no caso). Imagino que em 2023, quando Jesus voltar à terra pela segunda vez, já teremos expansões de memória medidas em PetaBytes vendidas no Ebay. E é claro que teremos chineses vendendo um dos rins para comprar um cérebro maior.

Mas até que esse dia chegue, continuo a invejar as pessoas que são capazes de contar experiências de seus cinco anos de idade – e sempre naquele tom de aventura épica, mesmo que estejam narrando como elas conseguiram roubar o pudim da geladeira sem que a mãe percebesse. Inclusive, esse foi o principal motivo que me levou a criação desse blog: Lembram que no início comentei do Hoje é um Bom Dia em um dos primeiros posts daqui? Então, além do fato de eu ser super fã do cara, um post em especial dele me convenceu de que a melhor maneira de lidar com minha memória seria escrevendo um blog. Afinal, a qualquer momento eu poderia vir aqui e ler meus posts mais antigos que narram as mais diversas experiências que eu ainda vou relatar, quase como um diário. A diferença é que, ao contrário de um simples diário, um blog é algo muito mais interessante e divertido de se escrever. Além de poder compartilhá-lo com vocês, é claro :’D

Como estou a anos novamente sem atualizar nem dar notícias, aqui vai um breve resumo da minha vida e do que está por vir:

  •  Não farei mais reviews das unhas (não neste ano, pelo menos) por um bom motivo: Iniciei um tratamento a sério que me impede de usar unhas postiças ou sequer esmalte. Descobri que o problema das minhas unhas é algo bem mais sério do que serem roídas, e que um tratamento para fazê-las crescerem saudavelmente leva em torno de um ano (por isso os parenteses acima). No entanto, talvez eu poste algum desenvolvimento gradual quando minhas unhas estiverem com um comprimento bom ou sequer apresentáveis.
  • Em breve virão os posts sequencias da história do moicano, bem como uma narrativa inédita de como tomei o primeiro porre da minha vida (orgulhosamente, aos 19 anos).
  • Estou estudando e reunindo documentos necessários para tentar prestar um “mini” vestibular que ocorre simultaneamente em todo o mundo entre pessoas interessadas em estudar no Japão. Terei uma prova muito provavelmente na semana entre o dia 4 e 8  - caso eu consiga um maldito atestado de sanidade mental para me inscrever. Eu não sou louca, tá? (só tenho TDAH, transtorno bipolar e talvez autismo em potencial).
  • Não bastasse minha vida estar corrida o suficiente graças a essa prova, estou nas três últimas semanas do semestre da faculdade, ou seja, o período em que os professores se tocam de que ainda não fizeram nenhuma prova ou trabalho e resolvem começar as avaliações do semestre.
  • Ah, é. Pretendo começar a fazer reviews de animes e coisas que eu ando assistindo por aí. Prometo que serão bem interessantes, válidas e profundas, algo como “Esse anime aqui é muito rox!1!” e coisas relevantíssimas do gênero :’D

Enfim gemtem, é isso. Espero vê-los novamente em breve. \o

 
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Publicado por em 17/06/2011 em Vida

 

A incrível aventura do moicano roxo

Vocês devem se lembrar quando eu disse nesse post que havia cortado o cabelo e que um belo dia narraria para vocês essa aventura que quase resultou em uma tragédia capilar, certo?

Pois então.

Tudo começou em uma bela tarde de sábado (mentira, eu não faço idéia de que dia era) quando eu me arrumava para ir ao cabeleireiro aproveitar aquele cupom do Peixe Urbano que incluía corte e hidratação por um valor que certamente não cobriria nem mesmo o preço do shampoo que usaram não fosse o advento das compras coletivas.

Inclusive, entendam por Peixe Urbano qualquer sitezinho desse gênero, já que chamo todos do mesmo jeito. Já comprei em sites de compras coletivas tão obscuros que me surpreende eu não ter sido raptada no momento de resgartar a oferta.

Aliás, pela frequência com que falo em Peixe Urbano por aqui, vocês devem me imaginar como uma daquelas assíduas compradoras de calça jeans por 10 reáu na muamba da esquina ou algo do gênero.

Poisé. Se eu disser que comprei mais do que cinco cupons desse tipo de oferta provavelmente estarei exagerando. O caso é que em geral eu tento aproveitá-los bem, visto que é um dinheiro que eu certamente não gastaria não fosse aquela oferta pumpar na minha frente tão gostosa e irresistível. É fato que nesse prazer psicológico de “estar economizando”, estamos na realidade arcando com gastos não previstos. Mas enfim.

Estava eu bem bela no meu msn planejando cortes e mais cortes, já que queria encontrar algum formato curto e que ainda assim se mantivesse bem feminino. Lembro-me claramente da conversa que travava com um amigo por um simples comentário dele, que se resumia como um “relaxa que se ela cortar demais você já aproveita e pede um moicano”

A esta altura, mal sabia eu que estas palavras serviriam como algum tipo de maldição.

Depois de muito refletir em sites aleatórios japoneses(já que minha fonte de pesquisa de tudo resume-se a eles) sobre cortes de cabelos, consegui reduzir minha indecisão a apenas dois cortes. Como sabia que caso eu resolvesse continuar ponderando sobre os dois como boa libriana que sou, levaria no mínimo mais algumas 372 horas, resolvi imprimir os dois e ir pelo sábio método do uni-duni-tê na hora de escolher.

Lembro de ter passado todo o caminho rumo ao salão observando orgulhosa as minhas escolhas e falando comigo mesma: É, eles são simples o suficiente a ponto de não ter muito o que a cabeleireira errar, então tá okay :3

Engraçado que de início essa minha aventura tinha tudo para dar certo: O ambiente do salão em si era de um padrão relativamente alto e certifiquei-me de levar meu namorado à tira-colo para ter certeza que, caso eu tivesse o dom de não conseguir expressar corretamente como eu queria o cabelo, mesmo levando duas fotos de referência, ele o faria por mim. Obviamente eu já havia despejado tanta informação nele sobre meus sonhos capilares que ele não só seria capaz de lembrar-se de cada detalhe como arrisco dizer que já os havia decorado por inteiro.

Mas como alegria de pobre dura pouco e a pobre aqui continuava sendo pobre mesmo em um ambiente tão bom, visto que se eu não o fosse não dependeria de tamanha oferta para me coçar e cortar o cabelo, tudo mudou.

A começar que a idéia de querer um cabelo curto e bem feminino simultaneamente já era arriscada o suficiente, visto que uma vez cortado demais é impossível consertar o cabelo e que, ao meu comprimento atual e desejado, um dedo a menos já poderia ser considerado como cortar demais. Aí vocês me perguntam: Mas sua monga, se você queria o cabelo mais feminino por que justamente inventou de cortar bem curtinho?

Bem, a julgar que devido a uma série de experiências capilares não muito bem sucedidas, meu cabelo contava com a linda combinação de cores seguinte, creio que vocês entendam:

Sorriso amarelo

Castanho diarréia + Mecha LOIRA e pontas pretas

Aliás, eu já falei o quanto eu odeio a cor natural do meu cabelo? Quer dizer, antigamente ele era um tom meio puxado pro amarelo-caganeira, mas desde que o pintei, após deixá-lo crescer naturalmente denovo ele se tornou uma cor mais marrom-diarréia mesmo, uma coisa bem lynda. Isso também explica o porquê de eu ter pintado de roxo logo após ter cortado, mas eu ainda não cheguei lá.

Voltando à experiência no salão:

A começar que a cabeleireira que me atendeu super tinha jeito de lésbica predadora, daquelas que devoram lolis no café da manhã. E ela parecia meio inspirada com meus cabelos.

O fato de ela ter começado em um caminho certo me fez ignorar completamente esses fatores e me manter otimista, afinal de contas, quem não estaria após uma afirmação categórica de que era totalmente possível fazer o corte exatamente igual à foto que mostrei? O pesadelo começou quando notei que ela estava cortando demais dos lados, deixando praticamente nada neles, para meu total desespero. Meu namorado me olhava com uma cara de agonia e sofrimento que apenas um cão indo ao veterinário tomar vacina e levar um termômetro no cú seria capaz de simular.

Eis que vem a frase que me causaria mais calafrios por segundo em toda a minha vida:

“Por que a gente não raspa um pouquinho dos lados e faz um moicanozinho?”

[Continua]

 
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Publicado por em 26/05/2011 em Vida

 
 
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